Animais
selvagens, em cativeiro, perdem o instinto de sobrevivência e, para que
regressem à vida natural, precisam ser treinados novamente, a fim de que possam
tentar recuperar esse instinto, pois, do contrário, teriam muitas dificuldades
de sobreviver, razão pela qual continuam no cativeiro, domesticados e, às
vezes, inofensivos, atendendo ao sorriso dos visitantes, mas dependentes de
serem cuidados para todo sempre.
O
cativeiro do ser humano é a escola.
Noé Amós Guieiro
Esta
epígrafe abre o livro “Pare de Acreditar na Educação”, apresentando vários problemas
da escola, entre os quais a destruição dos instintos humanos, como o senso de
autoproteção e de autopreservação, que são bombardeados com a justificação da
violação à vida, à liberdade e à propriedade por meio da defesa da compaixão ao
agressor/invasor e à sua história de vida.
O
livro demonstra como, na escola, nega-se o discernimento, que é o verdadeiro
guia da vida, anulando-o com ideias de certo e errado e de politicamente
correto, inclusive convencendo o estudante de que a voz de qualquer autoridade
é a verdade, e não o que ele enxerga por meio desse mecanismo de “luz natural”,
que é substituído pelo tal do senso crítico que, na realidade, é o senso
marxista com novo nome.
Nessa
escola, coloca-se o coletivo acima do individual, chama-se de egoísmo a busca
pessoal, a prosperidade e o foco na própria vida, fomentando a tese de que bom
ser humano é o que vive como escravo servindo gratuitamente às pessoas, enquanto
a cobrança por um serviço é vista como coisa de gente gananciosa e capitalista.
Assim, persuade-se o estudante para que gaste todos os neurônios para resolver
os problemas do mundo, gratuitamente, o que significa dizer, abandonando-se,
saindo diariamente de casa para lutar por um mundo utópico, claro, onde os
chefões e poderosos terão do bom e do melhor, enquanto ele terá de amargar a
escassez, a renúncia de sonhos pessoais e a desmoralização em casa pela família
e, fora dela, pelos amigos. Dessa forma, a busca da felicidade acaba sendo
massacrada com uma vida de autossacrifício para salvar o mundo em nome de uma
suposta justiça social.
É
uma escola que só tem um propósito: formar justiceiros sociais e
ambientalistas.
“Pare
de acreditar na educação” discute mitos, falácias e mentiras sobre educação,
como, por exemplo: A educação é realmente a base de uma sociedade melhor? Mostra
que, onde a educação está melhor, ela apenas foi consequência, não causa, da
dinâmica de um mercado mais aberto e livre, o que, inclusive, favoreceu o seu
desenvolvimento, como ocorreu com a Coréia do Sul, Xangai (China), Chile. Ou
seja, ela não foi o fator de alavancagem, mas recebeu o efeito de um mercado
mais livre.
O
livro apresenta exemplos de países que melhoraram seus indicadores em educação,
graças à força do Capitalismo de livre mercado, embora alerta para os problemas
do planejamento centralizado da educação, que é feito por meio do controle estatal
e da imposição de um currículo para todos, o que é contrário à própria ideia de
desenvolvimento do indivíduo, com respeito a seu tempo e a suas aptidões,
trazendo como exemplo o alto índice de suicídio entre jovens no Japão e na
Coréia do Sul, sendo a principal causa de mortes na adolescência. Além disso,
tal monopólio inibe a aparição de novas experiências de conceber a escola e de oferecer
serviços de educação mais satisfatórios e com base no anseio de muitas crianças
e de suas famílias.
“Pare
de Acreditar na Educação” discute inverdades como a que afirma que a educação é
fundamental para o crescimento do PIB de um país, chamando a atenção para o
fato de que o Brasil dos anos1960 cresceu a taxas elevadíssimas, entre 7 e 11%,
com educação para uma minoria, enquanto o Brasil da década de 2010 entrou na
maior recessão da história com educação para todos.
O
livro desconstrói mitos com temas bem radicais, como, por exemplo: “o que melhora
a produtividade é a tecnologia, e não a educação”; “exemplos de sucesso de
pessoas que não ligaram muito para a escola e das que não se importaram com o
ensino superior”; “livre mercado possibilita o enriquecimento das pessoas, e não
a educação”; “propriedade privada pacifica o mundo, e não a educação”; “livre
comércio também pacifica o mundo, e não a educação”.
O livro também procura demonstrar o
quanto essa educação é autoritária, impondo um vocabulário politicamente
correto; o quanto ela invade questões de foro íntimo, como a sexualidade, a
religião e os valores familiares. Demonstra o quanto a psicologia por ela
praticada é negativa, pois se vale do medo como instrumento de controle, ao
invés de focar a coragem; aliás, ela é uma destruidora ilimitada da
inteligência emocional, pois é contra o individualismo e contra todos os
elementos emocionais que deveriam estar a favor do indivíduo, como a coragem, a
autodeterminação, o hábito de tomar riscos calculados e a autoconfiança; tudo
isso é distorcido pelo fato de o indivíduo ser tratado como um meio para se
construir um projeto de sociedade a partir do desejo de grupos dominantes, especificamente
como um escravo a serviço da coletividade, ao invés de ser visto como um fim em
si mesmo, ou seja, como alguém livre para realizar-se como pessoa.

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